domingo, 16 de agosto de 2026

Eu não sabia. Eu só sentia.

Um dia pensei nas perguntas. “Por que você gosta de mim?”, “por que você me ama?”, “o que você ama em mim?”. Parecem a mesma pergunta, mas não são. Ele sabia responder, sabia me dizer o que gostava em mim, apontar minhas qualidades, aquilo que admirava. Eu também conseguia dizer o que admirava nele. Sabia que o achava inteligente, leal, genuíno, sabia das coisas que me encantavam. Mas, se ele me perguntasse “por que você me ama?”, eu não sabia.

Eu não sabia. Eu não entendia. Eu só sentia.

Talvez porque “o que eu amo em você?” seja uma pergunta que permite respostas, mas “por que eu amo você?” procura uma explicação que talvez nem exista. Existem outras pessoas inteligentes, outras leais, outras genuínas. Existem outras pessoas como eu também. Então por que você? Por que eu? Por que nós?

Eu não sei.

Hoje, talvez eu saiba ainda menos. Não sei se tudo aquilo que eu enxergava em você era realmente tudo aquilo que eu pensava, não sei se algumas coisas eram exatamente como eu acreditava ou se o amor também tem esse poder de iluminar algumas partes e inventar outras, mas sei que você morava em um lugar muito precioso do meu coração.

E talvez seja isso que permanece: não a certeza de que eu estava certa sobre tudo, mas a certeza de que eu senti tudo aquilo.

Eu não sabia por que era você, não conseguia explicar, não conseguia transformar em uma lista de qualidades aquilo que acontecia dentro de mim quando era você.

Eu não sabia. Eu não entendia. Eu só sentia.

parece que amar é um pouco disso: sentir sem saber por quê. o amor não é exato.

Se ele soubesse o tamanho do lugar que ocupava em mim, talvez entendesse por que eu nunca consegui responder àquela pergunta, não tinha uma explicação.

Eu tinha um sentimento. Eu não sabia. Eu não entendia. Eu só sentia. Sinto.

“A gente escreve como quem ama, ninguém sabe por que ama, a gente não sabe por que escreve também.” Clarice Lispector


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