o sonho começou no chão.
numa esquina.
naquela rua
havia uma calçada só.
ontem,
fomos duas.
se for para passar assim,
um de cada lado,
peço à cidade
que nunca mais nos coloque
na mesma esquina.
você me encontrou.
me abraçou.
disse:
“não adianta.
você é meu oriento-amor.”
acordei.
não fui eu que inventei a palavra.
acordei inventada por ela.
oriento-amor.
ela me conhece
antes de eu conhecê-la.
parece que sabe
alguma coisa
que eu ainda não sei.
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