quarta-feira, 15 de julho de 2026

Por enquanto, nada.

Até o nada nunca é nada.

O nada pode ser um pronome indefinido, um advérbio. Pode até virar verbo: o nada pode nadar muito.

Ninguém escreve sobre nada. E escrever grandes histórias e epopeias não é tudo. A poesia é microscópica. Interessa-se até mesmo pelo... nada.

Antes de pensar, a poesia sente. Por isso não me considero intelectual. Sou sensual. Encosto o verbo na natureza. Antes de escrever, sinto, cheiro, toco, lambo as palavras.

A poesia não precisa do poeta. Ela é a natureza, os pássaros, o beijo, o sexo.

A poesia não precisa de mim.

Mas eu preciso dela.

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