Até o nada nunca é nada.
O nada pode ser um pronome indefinido, um advérbio. Pode até virar verbo: o nada pode nadar muito.
Ninguém escreve sobre nada. E escrever grandes histórias e epopeias não é tudo. A poesia é microscópica. Interessa-se até mesmo pelo... nada.
Antes de pensar, a poesia sente. Por isso não me considero intelectual. Sou sensual. Encosto o verbo na natureza. Antes de escrever, sinto, cheiro, toco, lambo as palavras.
A poesia não precisa do poeta. Ela é a natureza, os pássaros, o beijo, o sexo.
A poesia não precisa de mim.
Mas eu preciso dela.
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